terça-feira, 30 de novembro de 2010


O teu olhar

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Vendaval: Ó vento do norte, tão fundo e tão frio...

Cai amplo o frio e eu durmo na tardança...

Sossega, coração! Não desesperes!

Todas as cousas que há neste mundo têm história...

A lavadeira no tanque bate roupa em pedra bem...

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso...

Se alguém bater um dia à tua porta...

Não quero rosas, desde que haja rosas...

Sou o Espírito da treva...

domingo, 28 de novembro de 2010




Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Quando eu era pequena tudo era mais fácil, meu sorriso era verdadeiro e eu só chorava quando realmente me machucava.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O meu amor eu guardo para os mais especiais. Não sigo todas as regras da sociedade e às vezes ajo por impulso. Erro, admito. aprendo, ensino. Todos erram um dia: por descuido, inocência ou maldade. conservar algo que faça eu recordar de ti seria o mesmo que admitir que eu pudesse esquecer-te.